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Claire Denis brilha em Cannes com o longa ‘Stars at Noon’

 Claire Denis brilha em Cannes com o longa ‘Stars at Noon’


CANNES – É uma das mais belas vinhetas, senão a mais bela dos grandes festivais de cinema. Ao som de um trecho de O Carnaval dos Animais, de Saint-Saëns, a câmera sdobe por uma escadaria ornada de tapete vermelho que conduz são alto, e à Palma de Ouro. Este ano, para comemorar seu 75º aniversário, Cannes colocou nomes de importantes cineastas que fizeram história na Croisette. As vinhetas mudam segundo as seções e as salas, mantendo o conceito. No topo, apenas duas mulheres – Agnès Varda, que também dá nome à sala (enorme) construída por ocasião do 60º aniversário, e Jane Campion.

Thierry Frémaux, que faz a seleção, gosta de dizer que não escolhe filmes de autores por gênero – masculino, feminino -, mas pela qualidade. Em 2022, 21 filmes disputam a Palma de Ouro. Somente quatro são assinasdos por mulheres, uma erm codireção. Claire Denis, Kelly Reichardt, Léonor Serraille e Charlotte Vandermeersch. A imprensa adora fazer prognósticos. Em toda a história do festival, o percentual de vencedores fioca copm os filmes exibidos no último fia, e até na última sessão – nessa sexta, 27. Se for o caso, Kelly Reichardt já ganhou, com Showing-Up. Em toda a história do Oscar, a Academia premiou apenas três mulheres, e uma foi errada. No ano passado, Kelly merecia mais que Chloë Zhang, por sua First Cow.

Ganhará agora? A francesa Claire Denis é uma autora de prestígio. Participa da competição com Stars at Noon. Coincidentemente, mas não é mera coincidência, a Reserva Imovision está aproveitando o holofote do festival e lança mais quatero filmes, que vem se sdomar aos três já dfis´poníveis no seu streaming – Desejo e Obsessão, Minha Terra África e DEwixe a Luz do Sol Entrar. Os filmes que entram nesta quinta, 26, são Chocolate, o primeiro que ela dirigiu, Nenette et Boni, O Intruso e Bastardos.Com isso, sete dos 13 filmes de Claire – mais da metade – estarão disponíveis para o espectador brasileiro.

Stars at Noon é um filme difícil de catalogar. Aventura, romance, thriller. Uma americana, interpretada pela filha de Andie MacDowell – Margaret Qualley -, na fronteira da Nicarágua com Costa Rica. Meio jornalista, meio profissional do sexo, ela se envolve com um inglês misterioso, e romântico – Joe Alwyn -, e ambos se veem na mira de um agente da CIA, interpretado pelo brother Safdie. Como em outros momentos de sua carreira, quase todos, Claire prefere a atmosfera à narração e o corpo às explicações, sobretudo psicológicas. O filme baseia-se-se no romance homônimo de Denis Johnson, Estrelas ao Meio-Dia. Passsa-se na Nicarágua, em 1984, mas Claire deixa a questão da data meio vaga. O que importa é que haverá uma eleição, e existem dúvidas se ela será mesmo realizada.

Claire – “A escolha do elenco é sempre um momento crucial, e se assemelha a um jogo de dados. Não se pode ter certeza. Mas com Margaret e Joe, eu senti imediatamente que havia confiança. Eles confiavam em mim, e eu, neles. Foi assim que surgiu essa história de perdidos na tormenta.”Claire reabre a vertente de filmes dos anos 1980, como Salvador e O Ano em Que Vivemos em Perigo. É uma estilista da mise-en-scène, preferindo criar cenas de bravura a uma linearidade constante. “Na Nicarágua é muito úmido, muito quente, e chove do nada, constantemente. Integrar essas características locais foi necessário, e prazeroso. Tudo faz parte da história, ou do clima.” Quanto ao choque de culturas – América Central, EUA, Inglaterra -, é comum no cinema dela. Lembrem-se de Minha Terra África. Claire é atraída pelo outro. O novo filme pode não ser o seu melhor, mas com o casal em cena não dá para desgrudar o olho.



Fonte: Terra

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