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Movimentos ligados à população de rua da cidade de SP relatam problemas em obter acolhimento em noites frias pelo 156 | São Paulo

 Movimentos ligados à população de rua da cidade de SP relatam problemas em obter acolhimento em noites frias pelo 156 | São Paulo


Líderes de movimentos de defesa da população de rua da cidade de São Paulo afirmam que não estão conseguindo contato com a prefeitura pelo 156 para atendimento em situações de emergências, como no frio.

Na noite do dia 18, Alderon Costa, conselheiro do Comitê da População de Rua, disse que uma equipe do comitê e voluntários estavam na região do Brás, próximo à Avenida Radial Leste, por volta de 20h quando tentaram acionar o 156 para uma pessoa com sintomas de hipotermia, mas não tiveram retorno.

“Fizemos o trajeto pela região do Brás, Belém e as proximidades da Radial Leste, incluindo o Largo da Concórdia, estávamos distribuindo sopa quente, cobertores, roupas de frio, barracas e sacos de dormir. Várias pessoas estavam dormindo na calçada, alguns sem nenhuma proteção – no cimento. Encontramos um homem com muito frio e com dificuldade para respirar, a equipe deu comida e agasalhou, tentamos acionar a prefeitura, mas infelizmente não conseguimos, ninguém do poder público estava na região também”, afirmou Alderon.

Em resposta à solicitação que foi aberta pelos voluntários, pelo aplicativo da prefeitura consta que o pedido foi indeferido por conta de “problemas operacionais”.

Voluntários tentaram solicitar o atendimento também pelo aplicativo 156. — Foto: Arquivo pessoal

“Essa não foi a primeira vez, já ligamos várias vezes no 156 e tivemos problemas em conseguir atendimento, então não sabemos se é um problema no sistema ou por falta de equipe para se deslocar”, alegou Alderon.

No dia 7 de maio, uma equipe também tentou acionar a prefeitura para conseguir acolhimento para um senhor cadeirante que estava próximo à Catedral da Sé, no caso também não houve retorno. “A gente sempre recebe a resposta de que não tem leito baixo disponível, o que seria ideal para ele, além de necessitar uma vaga para que o seu acompanhante fosse junto, já que ele não tem autonomia”.

“Há dias que eu venho ligando no 156 para pedir por vagas em casas de acolhimento, mas não tive retorno, eles pedem para aguardar, só que não apareciam no lugar, além da burocracia gigantesca, então é preocupante, muitas vezes eu preciso ligar direto na secretaria para tentar alguma vaga para tirar um companheiro da rua”, afirma Anderson Miranda, do Movimento Nacional de Luta em Defesa da População em situação de rua.

Anderson participou de uma reunião da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e cidadania da Câmara Municipal no dia 19 de maio, na ocasião, ele informou que mesmo ligando da rua, em situações de emergência não conseguiu atendimento. Em casos como esse, ele informa que distribui barracas para as pessoas se esquentarem.

Sempre que a temperatura estiver igual ou inferior a 13ºC, a população pode acionar o serviço de acolhimento da prefeitura pelo programa Baixas Temperaturas . O acionamento é feito ligando no 156 e informando onde está a pessoa desabrigada, para que a prefeitura possa ir até o local.

Nesta quinta-feira (26), a vereadora Erika Hilton (Psol) protocolou uma representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) com denúncias dos problemas de atendimento pelo 156. A vereadora alega que o sistema tenha negado atendimento durante o Programa Baixas Temperaturas.

A vereadora apurou que os atendimentos foram negados por problemas no sistema.

Ela já tinha entrado com uma representação na Promotoria de Justiça do Centro de Apoio Operacional (CAO) do MP-SP em julho de 2021 por uma série de problemas para o atendimento da população de rua, inclusivo no atendimento do portal 156.

O g1 procurou a Prefeitura de São Paulo para comentar sobre o caso, mas até a publicação desta reportagem não teve retorno.

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Fonte G1

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