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Chacina de Unaí: ex-prefeito Antério Mânica é condenado a 64 anos de prisão | Jornal Nacional

 Chacina de Unaí: ex-prefeito Antério Mânica é condenado a 64 anos de prisão | Jornal Nacional


Foram quatro dias de manifestações em frente ao Tribunal do Júri, em Belo Horizonte. Auditores fiscais do trabalho de diversas partes do país acompanharam, do lado de fora do prédio, o julgamento do crime que aconteceu 18 anos atrás.

Pela segunda vez, o fazendeiro e ex-prefeito da cidade de Unaí, noroeste de Minas, Antério Mânica foi para o banco dos réus, acusado de ser um dos mandantes do assassinato de três auditores fiscais e um motorista que apuravam denúncias trabalhistas em propriedades rurais na região.

Antério já havia sido condenado a 100 anos de prisão em 2015, junto com o irmão dele, Norberto Mânica, que aguarda recurso em liberdade.

A defesa de Antério Mânica, em 2018, alegou insuficiência de provas e conseguiu, em decisão na segunda instância da Justiça, a anulação do primeiro julgamento. Agora, com o novo júri, o fazendeiro voltou a ser considerado culpado. A sentença foi de 64 anos de prisão por quádruplo homicídio triplamente qualificado.

“São 18 anos de dor, de espera, de sofrimento pela condenação dos mandantes do assassinato, do Nelson, Eratóstenes, João Batista e do Ailton. Todos nós sofremos com nossos colegas, o Estado brasileiro foi atacado por esses poderosos que até hoje não pagaram pelo que fizeram”, diz o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, Bob Machado.

O crime aconteceu em janeiro de 2004. Os auditores fiscais do Ministério do Trabalho, Nelson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves, juntos com o motorista Ailton Pereira de Oliveira, foram assassinados a tiros em uma emboscada na zona rural de Unaí.

O Ministério Público apontou que Antério Mânica se incomodava com a fiscalização e apresentou depoimentos de testemunhas e o registro de ligações telefônicas como provas do envolvimento dele com os intermediários e com os executores do quádruplo assassinato, que ficou conhecido como a chacina de Unaí.

“O resultado foi bom porque também a gente tinha, ao contrário, provas muito consistentes para poder condenar. A defesa tentou desfazer cada uma dessas provas e, de qualquer forma, a gente conseguiu com que os jurados compreendessem que a verdade estava com o Ministério Público”, afirma a procuradora do MPF Mirian Lima.

No fim do julgamento, auditores fiscais comemoraram a decisão da Justiça.

A defesa de Antério Mânica disse que pediu ao Tribunal Regional Federal a anulação do julgamento pelo júri. Enquanto recorre, o fazendeiro vai continuar em liberdade.



Fonte G1