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Guardas municipais agridem com cassetete e jogam gás de pimenta em mulher durante ação na Cracolândia de SP | São Paulo

 Guardas municipais agridem com cassetete e jogam gás de pimenta em mulher durante ação na Cracolândia de SP | São Paulo


Uma mulher foi agredida com golpes de cassetete e gás de pimenta durante uma abordagem da Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo neste sábado (28), na região central da capital.

As imagens do videorreporter Caio Castor, que circulam nas redes sociais, mostram a ação de três GCMs na Rua Helvetia, na região da Cracolândia, por volta das 12h. Um dos guardas acerta a mulher com o cassetete e, depois, outro oficial utiliza gás de pimenta diretamente contra o seu rosto, a uma curta distância.

O g1 questionou a abordagem junto à Secretaria Municipal de Segurança Urbana, responsável pela GCM, e à Secretaria Especial de Comunicação, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Para Ariel de Castro Alves, advogado, especialista em direitos humanos pela PUC- SP e presidente do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, a ação dos guardas configura crime de tortura.

“Temos claramente a prática de tortura por parte de guardas civis contra uma possível dependente, usuária de drogas, que frequenta aquela região. Nós vemos os guardas agredindo violentamente essa dependente de drogas e vemos também jogando spray de pimenta no rosto dela”, explicou.

“Temos uma situação em que ela é submetida a um intenso sofrimento físico e psicológico como forma de castigo, o que configura crime de tortura na lei 9.455, de 1997”, completou.

Operação com atiradores de elite

Policial aponta arma para usuários de droga durante operação da Polícia Civil na Cracolândia, nesta sexta-feira (27) em São Paulo. — Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

A Polícia Civil de São Paulo realizou nesta sexta-feira (27) uma nova operação no ponto de concentração de usuários de droga da Cracolândia, no Centro de São Paulo. Moradores registraram a presença de um veículo blindado com atiradores de elite, além das viaturas.

Desde quando foram retirados da Praça Princesa Isabel pela polícia, os usuários de droga já ocuparam diferentes endereços: a Praça Marechal Deodoro; a Rua Helvétia, entre a Rua Barão de Campinas e a Avenida São João, e também na esquina da Avenida São João com a Rua Frederico Steidel.

Operação da Polícia Civil com blindado e atiradores de elite na Cracolândia nesta sexta-feira (27), no Centro de São Paulo. — Foto: TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO CONTEÚDO

Segundo balanço final da secretaria, na operação desta sexta (28), quatro homens em flagrante por tráfico de drogas. Outro homem foi preso em cumprimento a ordem judicial e uma adolescente apreendida em flagrante após ser vista comercializando entorpecentes. Além disso, três menores de idade também foram apreendidos e uma mulher conduzida à delegacia por desacato, segundo a pasta.

A deputada Érica Malunguinho (PSOL) protocolou nesta quinta-feira (26) uma denúncia na Corte Interamericana de Direitos Humanos em que acusa o Brasil de violar a Convenção Americana de Direitos Humanos com as operações da polícia contra usuários de drogas na região da Cracolândia.

A deputada argumentou que as intervenções policiais e as operações de limpeza pela prefeitura fazem com que o chamado “fluxo” da Cracolândia se intensifique e se espalhe por diversas regiões.

Rua no Centro de SP após nova operação policial contra o tráfico de drogas na região da nova Cracolândia, nesta quinta (19) — Foto: Bruno Rocha/Enquadrar/Estadão Conteúdo

Além disso, especialistas afirmaram que as ações consistem em dispersar os usuários de drogas pelo Centro da capital.

“Os agentes de saúde e sociais reclamam que a dispersão e remoção o tempo todo do fluxo dificulta ainda mais o atendimento dos dependentes. E a constância da ação repressiva da polícia torna impossível os atendimentos”, disse Ariel de Castro, do grupo Tortura Nunca Mais.

“A polícia passa o dia tocando os dependentes como se estivessem tocando bois”, afirmou.

“Todas as vezes que isso ocorreu anos atrás nunca teve resultados positivos, pelo contrário, o problema foi ampliado, além da disseminação de várias Cracolândias na região central de São Paulo.”

Já o delegado da Polícia Civil de São Paulo responsável pelas ações, Roberto Monteiro, defendeu que a dispersão de usuários de drogas pelo Centro da capital “permite que a polícia reprima o tráfico com mais facilidade e eficácia”.

“Nós estamos seguindo aqui em São Paulo exemplos do mundo: Frankfurt, Lisboa, Nova York, Bogotá, onde se provou que a dispersão de fluxos de dependentes químicos, porque sempre existe o traficante, ali naquele meio, permite que a polícia reprima o tráfico com mais facilidade e mais eficácia”, declarou o delegado, no último sábado (21).

A afirmação ocorreu após uma série de protestos de moradores da região central contrários à movimentação do chamado fluxo da Cracolândia. Com cartazes, habitantes de Santa Cecília e Campos Elíseos pediram que o governo e a prefeitura promovam uma solução para as diversas concentrações de usuários de crack pelo Centro.

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Fonte G1