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Universidades criam programas para corrigir lacunas de aprendizagem da pandemia | Jornal Nacional

 Universidades criam programas para corrigir lacunas de aprendizagem da pandemia | Jornal Nacional


Nos dois anos de pandemia, milhares de universitários ficaram longe de aulas presenciais importantes. Como resultado, os alunos abriram uma lacuna no aprendizado que as universidades correm para corrigir.

Uma aula prática para quem já está na prática aplicando os conhecimentos da faculdade de Odontologia em pacientes.

“Eu já estou atendendo paciente de verdade, e tem algumas coisas que eu sinto que falta para dar um bom atendimento para eles”, conta Rafaela Ramos, estudante de Odontologia.

O que faltou para Rafaela e para milhares de estudantes da USP foram as aulas presenciais, suspensas por causa da pandemia. Uma perda ainda mais significativa nos cursos que dependem de atividades em laboratório. Por um ano, os alunos ficaram sem aulas práticas.

“A gente está na aula de biomateriais, uma aula de tutorial, onde a gente está podendo repor todas as aulas do ano passado que ficaram um pouco defasadas. A gente está tendo experiência de rever todo o conteúdo de novo, e está sendo muito legal essa experiência”, afirma Mirela Sampaio, estudante de Odontologia.

Para atualizar o conteúdo que o ensino remoto não deu conta de fixar, a USP criou um programa de tutorial. Cerca de 500 estudantes estão recebendo uma bolsa para dar aulas de reforço para os colegas – um investimento de R$ 3 milhões que deve se repetir também no segundo semestre.

“Os tutores que estão nos ajudando nesse programa são alunos de graduação de anos mais avançados do curso, alunos de pós-graduação em sua maioria, e também alguns pesquisadores que estão cursando o pós-doutorado”, define Aluísio Segurado, pró-reitor de graduação da USP.

Saber o nível de aprendizagem dos estudantes depois de dois anos seguidos de pandemia tem sido um desafio para as universidades.

Em uma faculdade particular em São Paulo, novos e antigos alunos passaram por uma avaliação que mediu o grau de conhecimento de conceitos essenciais.

Com base na nota, eles puderam aderir a um programa de aulas de reforço que já tinha sido criado sete anos atrás. Só que agora o número de inscritos dobrou. Do total de 3 mil alunos matriculados, cerca de 400 participam das aulas.

Uma turma de futuros advogados que acaba de entrar na faculdade tem aula de leitura e interpretação de enunciados de questões com Mariana Chies Santos, professora de Direito Penal.

“A gente vê essa falta de atenção com algumas coisas que são básicas, principalmente para um curso que demanda muita leitura e muita interpretação como Direito. Então, a nossa ideia é que eles cheguem mais preparados nas próximas etapas do curso”, explica.

Uma lacuna que a aluna de Direito Anna Catarina Vieira de Almeida só percebeu quando voltou às aulas presenciais já na faculdade.

“Acho que a tecnologia é superimportante, mas a gente ficou muito, muito preso a ela, a gente foi perdendo pequenos hábitos de anotar em meios físicos. A gente tem algumas ferramentas online que são extremamente importantes para o nosso aprendizado, mas estar aqui, ter uma aula na lousa, o professor olhando para mim e sabendo quando estou com dúvida, quando estou entendendo, é muito importante”, reforça.

“Se ele chega com alguma deficiência ou se, ao longo do curso, apresentou essa deficiência, a gente precisa ajudá-lo a atingir o nível esperado sem abaixar a régua. Eu preciso ajudar para que ele possa se recuperar e ter a competência esperada”, afirma Guilherme Martins, diretor de graduação do Insper.



Fonte G1

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