Alternativa 104

Candiba Bahia
0:14
  • cover
    Alternativa 104

Família do indigenista Bruno Pereira tem esperança de que tenha sido acidente e pede urgência: ‘Cada minuto conta’ | Pará

 Família do indigenista Bruno Pereira tem esperança de que tenha sido acidente e pede urgência: ‘Cada minuto conta’ | Pará


“Já são 48 horas de angústia à espera de notícias. Durante todo o dia de ontem [segunda], tivemos poucas informações sobre a localização deles, o que tem aumentado este sentimento. Mas também temos muita esperança de que tenha sido algum acidente com o barco e que eles estejam à espera de socorro. Mantemos orações e agradecemos o apoio de familiares e amigos. Contudo, apelamos às autoridades locais, estaduais e nacionais que deem prioridade e urgência na busca pelos desaparecidos”.

A nota é assinada pela companheira de Bruno e dois irmãos e foi divulgada através de colegas da família no Pará.

“Pedimos às autoridades rapidez, seriedade e todos os recursos possíveis para essa busca. Cada minuto conta, cada trecho de rio e de mata ainda não percorrido pode ser aquele em que eles aguardam por resgate” .

Nesta terça, as buscas são feitas pela Marinha do Brasil, com o apoio de um helicóptero, duas embarcações e uma moto aquática. Os desaparecimentos do jornalista e de Bruno Pereira estão sendo investigados pela Polícia Federal no Amazonas, que não deu detalhes sobre as apurações.

“É fundamental que buscas especializadas sejam realizadas, por via aérea, fluvial e por terra com todos os recursos humanos e materiais que a situação exige. A segurança dos indígenas e equipes de busca também precisa ser garantida”, afirmam os familiares na nota.

Bruno, que além de estudar e pesquisar questões relacionadas aos povos indígenas, é servidor de carreira da Fundação Nacional do Índio (Funai), e recebia constantes ameaças de madeireiros, garimpeiros e pescadores, segundo a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Servidor dedicado e pai amoroso

Na nota, a família também destacou a dedicação do indigenista ao trabalho e à família.

“É um dedicado servidor público federal pela FUNAI e muito apaixonado e comprometido com seu trabalho. Pai amoroso de duas crianças e uma moça linda, Bruno é filho, marido, irmão e amigo, ele leva essa paixão para sua jornada toda vez que entra na mata com o propósito de ajudar o próximo”.

Quando desapareceu, o indigenista não estava em uma missão institucional, mas a Funai informou que também acompanha a situação. Bruno chegou a ser coordenador regional de Atalaia do Norte, que compreende justamente a área onde ele foi visto pela última vez.

O servidor deixou o cargo em 2016, durante um conflito registrado entre povos isolados da região. O indigenista também chefiou a maior expedição para contato com índios isolados dos últimos 20 anos, em 2018, quando foi coordenador-geral de Índios Isolados e de Recém Contatados da Funai.

No ano seguinte, em 2019, ele foi exonerado do cargo após pressão de setores ruralistas ligados ao governo do presidente Jair Bolsonaro.



Fonte G1

AllEscortAllEscort