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Paciente que teve rim entregue em saco plástico aos familiares na BA tem alta médica após 14 dias | Bahia

 Paciente que teve rim entregue em saco plástico aos familiares na BA tem alta médica após 14 dias | Bahia


Segundo os familiares do entregador por aplicativo Jeferson Oliveira Bispo, o jovem está bem e agora vai se recuperar dos procedimentos cirúrgicos em casa. Ele foi baleado e passou por cirurgia para remoção de um dos rins atingidos no dia 22 de julho.

Jovem é baleado, perde rim e hospital entrega órgão à família em saco plástico na Bahia — Foto: Arquivo pessoal

Na segunda-feira (1°), a Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA) informou que tem trabalhado na análise dos danos causados à família do paciente. O objetivo é propor uma ação indenizatória na área cível.

No dia 26 de julho, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) admitiu que houve erro do Hospital Menandro de Faria (HGMF) no procedimento. No entanto, não informou a família o motivo do órgão ter sido entregue, nem se o rim do paciente havia sido atingido por algum projétil de arma de fogo.

Um dia depois de admitir que houve erro do hospital, a Sesab exonerou o diretor geral da unidade. A saída de Ramon Nelson Bezerra de Lima Souza foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) e o diretor Vicente Miranda Borges acumulou o cargo de diretor geral virando responsável pela unidade, ao menos provisoriamente.

Jeferson Oliveira Bispo foi baleado após ser abordado por homens armados quando passava por uma das ruas do bairro de Itinga.

Moradores socorreram o jovem para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Um adolescente foi aprendido, no mesmo dia do crime, suspeito de envolvimento na tentativa de homicídio contra Jeferson.

Por causa da gravidade do ferimento, Jeferson foi transferido para o hospital Menandro de Faria. Na unidade, os médicos não encontraram o projétil que atingiu o jovem, mas fizeram uma cirurgia para conter o sangramento.

A namorada de Jeferson, Andreza Silva, o acompanhava nos atendimentos. Ela contou que foi chamada pela equipe médica da unidade, e foi informada de que precisaria pegar “uma peça do namorado”.

Ao chegar à área do hospital em que o material seria retirado, ela percebeu que estava segurando o rim de Jeferson e ficou assustada. Segundo Andreza, o órgão foi entregue junto com uma solicitação de exame de anatomia patológica, e a indicação de clínicas onde o procedimento poderia ser feito.

Deram um saco na minha mão e diziam que era uma peça. Depois disso, ela [médica] veio dizer que era o rim dele. Até então, a gente não sabia de nada disso e só soube depois da visita que era o rim. Isso foi no sábado [23], e ela falou que até segunda [25], a gente tinha que fazer esse exame”.

Andreza disse que a médica não explicou o que fazer com o órgão. Segundo ela, a médica disse que a jovem não precisava ficar assustada com a situação, que era normal que pessoas ficassem sem um dos rins.

O Hospital Geral Menandro de Faria explicou que o órgão foi entregue aos familiares para realização de uma biópsia, porque a unidade não possui laboratório de anatomia patológica. Inicialmente, antes de informar que apura o caso, a Sesab confirmou a entrega do material à família.

Em nota, a secretaria detalhou que a família de Jeferson recebeu indicações de onde levar o rim para fazer a biópsia pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e que a unidade procurou a família para tirar dúvidas sobre os protocolos adotados.

Conforme Otávio, o procedimento correto é que o próprio hospital encaminhe o material para laboratórios que façam os exames.

Família faz boletim na polícia

Jovem é baleado, perde rim e hospital entrega órgão à família em saco plástico na Bahia — Foto: Arquivo pessoal

O pai de Jeferson, Luciano Bispo, esteve no hospital horas após a nora ter recebido o rim do rapaz. Ele disse que questionou a unidade de saúde sobre o procedimento.

“É uma situação muito complicada. A gente fica estarrecido com uma situação dessa. Eu queria uma resposta do hospital, porque nunca vi uma coisa dessas”, disse.

Sem uma resposta do hospital, ele foi orientado pela própria família a prestar queixa na Delegacia de Portão. Ele relatou que, ao buscar esse atendimento, foi maltratado e constrangido pelos policiais, e que por isso a ocorrência não foi registrada.

Em nota, a Polícia Civil disse que disponibiliza tanto a Ouvidoria quanto a Corregedoria, para que seja formalizada a denúncia de mau atendimento. Informou ainda que não “coaduna com as atitudes relatadas”.

Já com relação aos tiro que Jeferson recebeu, a Polícia Militar informou que um adolescente suspeito de envolvimento no crime foi apreendido e levado para Delegacia de Lauro de Freitas.

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Fonte G1