Alternativa 104

Candiba Bahia
0:14
  • cover
    Alternativa 104

Saiba quem são os agricultores e ambientalistas empenhados em restaurar as florestas brasileiras | Globo Repórter

 Saiba quem são os agricultores e ambientalistas empenhados em restaurar as florestas brasileiras | Globo Repórter


O desmatamento na Amazônia bateu recorde no primeiro trimestre de 2022, uma área equivalente a quase três vezes o estado de Goiás. Outro exemplo de local que sofre com o desmatamento é o Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, no sul da Bahia. Entre 1985 e 2020, a estimativa é que quase 30 km² de floresta desapareceram na área do parque.

Cabe às autoridades fiscalizar, mas todos podem fazer a sua parte – e tem muita gente no Brasil com a mão na massa. Foi isso que o Globo Repórter de sexta-feira (5) mostrou: agricultores e ambientalistas empenhados em restaurar o que as motosserras e as queimadas destroem. São os doutores da natureza.

Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal, no sul da Bahia, sofre com o desmatamento ilegal — Foto: Globo Repórter/ Reprodução

Como os jornalistas Luiz Ricardo Alves e Grici Faria. Há dez anos, eles resolveram mudar de ares: deixaram a cidade e se mudaram para um sítio de 30 hectares em São José do Barreiro, em São Paulo.

“A gente resolveu cuidar dele e fazer as coisas da forma que a gente acredita, com sustentabilidade, com manejo, respeitando a natureza”, conta Luiz.

Foi no final de 2021 que eles fecharam um contrato de preservação para crédito de carbono. Cada tonelada de gás carbônico retirada da atmosfera equivale a um crédito, e um crédito está valendo mais ou menos R$ 60. É como um produto comprado e vendido no mercado nacional e internacional.

“O carbono é aquele elemento químico do qual todos nós somos formados. Ele existe na natureza em quantidade. Esse carbono na atmosfera, junto a outros gases do efeito estufa, cria aquele efeito de cobertor”, explica Adriana Kfouri, administradora TNC, uma organização não governamental que participa de projetos para proteção do planeta.

Mercado de carbono: novas árvores tiram o gás carbônico do ar e provam que cuidar do meio ambiente é um ótimo negócio — Foto: Globo Repórter/ Reprodução

Em São Paulo, corredores ecológicos começam a mudar a cara de regiões que sofreram com a devastação por décadas.

“Muitas das populações e das espécies remanescentes aqui no oeste paulista estão isoladas em pequenos fragmentos florestais e unidades de conservação. Esse isolamento tem sérias consequências genéticas e demográficas a longo prazo, e daí a importância desses corredores”, explica Laury Cullen, coordenador de projetos e pesquisas IPÊ.

Também em São Paulo, o programa Rede de Sementes do Vale do Ribeira começou há 5 anos como um elo entre quilombolas e empresas que, muitas vezes, por força de lei se veem obrigadas a recuperar áreas degradadas. Nos últimos dois anos, o programa chegou à marca de duas toneladas de sementes coletadas.

Já no Rio de Janeiro, o Pão de Açúcar é que está sendo reflorestado – e por voluntários de todas as idades. O ambientalista Sávio Teixeira organiza mutirões e espalha a ideia do plantio coletivo. A Prefeitura do Rio cede as mudas – todas de espécies nativas por excelência da Mata Atlântica.

Técnicas de reflorestamento

A muvuca é uma das muitas técnicas de reflorestamento. Nesse processo, dá para colocar uma quantidade maior de espécies na terra do que no plantio de mudas – só que a taxa de germinação é baixa.

“É uma mistura de sementes que são usadas para restauração ecológica de uma área”, explica Lilla Brokaw, técnica em restauração do Instituto Socioambiental.

A muvuca é uma das muitas técnicas de reflorestamento. — Foto: Globo Repórter/ Reprodução



Fonte G1